Archive for the tag “Fiji”

Uma aula de surfe.

A gente bem que tentou não cair na mesmice. A gente bem que tentou ignorar o comentário que todos os sites, blogs e rodinhas de praia fizeram. Mas chegou um momento que não deu mais para esconder o fato atrás da gunzeira encostada no canto da parede. Até porque não temos mais nada interessante para falar aqui. Sendo assim, vamos ao que interessa: o que foi o surfe do Slater no último dia da etapa de Fiji? Pelo que ou por quem ele estava possuído? A performance dele nas quartas, semi (principalmente!) e final foi algo para ser estudado pelos nossos netos na escolinha de surfe. O surfe de backside foi levado ao estremo. E com uma perfeição e maestria pouquíssimas vezes vistas no esporte. As pauladas eram não menos que no critico. E fortes. E contundentes. Os tubos estavam com um timing perfeito. Um milésimo de centésimo de segundo a mais ou a menos teria acabado com as obras. De verdade, os adversários não tiveram a mínima chance. Nem o Medina que vinha embalado e em boa sintonia com as ondas. Foi um performance para ficar na história. E, falando em história, talvez ela seja a principal responsável pela atuação do desprovido de cabelos no dia das finais. Acontece que Slater não tinha surfado o swell histórico de alguns dias antes. Ou melhor, tinha surfado. Só que pela manhã. A tarde, quando as ondas subiram mais e ficaram mais perfeitas, parece que ele caiu, viu o tamanho da encrenca e resolveu sair antes que ficasse encravado nos corais fijianos. Quando a noite caiu e Kelly viu as imagens do mar perfeitoque ele tinha acabado de perder, deve ter batido um arrependimento, uma dor no âmago, que o fez ficar com raiva e detonar toda e qualquer onde que aparecesse na sua frente nos dias seguintes. Bom, mas isso é só uma teoria cérebrodeostraniana. Talvez seja real. Talvez não. A única verdade, por enquanto, é que se o surfe dele continuar nesse nível, podemos começar a nos acostumar com Slater no tour até os 45 ou 47 anos.

Tudo que você não quer saber sobre Fiji.

Vamos tirar logo da frente o assunto Slater. Ele surfou mais que todos praticamente o evento inteiro. Do round 3 em diante, em todas as baterias ele fez mais de 18 pontos. Todas. Sorte? Estratégia? Não. Foi o resultado de quem dedica horas ao surfe e a onda em questão. As pauladas dele de backside foram a maior prova disso. Nenhum outro top chegou nem perto de manobrar naquele nível. O único que podia fazer algo parecido, chamava-se Andy Irons, que deve ter aplaudido a performance do ex-inimigo de pé. Mas chega de Slater. Falemos de Medina. Queridos e queridas, se vocês tinham alguma dúvida, saibam que o Medina sabe, sim, entubar. E muito. O garotôn deixou mais claro que as águas fijianas que sabe se entocar e andar lá dentro. Ainda precisa evoluir? Claro que sim, qualquer pessoa de 18 anos ainda tem muito o que crescer. Mas que ele já mostrou que tem talento para a coisa, mostrou. Por o Medina ser da mesma geração do John John, é extremamente importante dominar a arte dos barrels, para não virar saco de pancadas do havaiano nos eventos tubulares do tour. Mas chega de falar dos finalistas. Como fãs do surfe, não podemos deixar de falar dos gêmeos que deram show em Fiji. CJ e Damien já são praticamente cartas fora do barulho “título mundial”. Até do Top 10. E isso não é de hoje, não. A chegada da nova geração e do novo estilo de surfe do tour não casou com a proposta deles. Pelo menos até essa última etapa. Mesmo sem chegar à final, os dois mostraram um surfe fabuloso em qualquer condição de mar, mostrando para os babys do tour, que eles ainda tem muito o que evoluir em ondas de verdade. Para finalizar, palmas também para o Mineiro. Ele mais uma vez mostrou que não está de brincadeira. A evolução no surfe do rapaz é evidente. Em todos os tipos de onda. Falta ganhar uma etapa para botar pressão na gringaiada. Pena que a próxima é Teahupoo e, ao que parece, um tal de Kelly Slater deve estar lá.

Que venha o 3º round. E logo.

Fala a verdade meu caro internético, assistir um campeonato com tubos é um diversão e tanto, né não? Nada contra os aéreos. De forma alguma. Mas um tubão nunca, jamais, será superado. Na boa, o tubo nota 10 do Medina foi melhor que qualquer aéreo que ele completou esse ano. Foi mais emocionante, foi mais adrenalizante e foi mais surfe. E não tem discussão. O mesmo comentário vale para outros tubos e surfistas. Mas a comparação com o Medina é a mais lógica, já que ele é o “Mr. Aéreo”. Num campeonato desses, até as vacas são legais de assistir. Tem umas ali que causam até uma dorzinha virtual. E o melhor disso tudo é que o mar em Tavarua pode ficar ainda melhor. Com o swell que vem vindo, a coisa vai ganhar ainda mais consistência e tubularidade, se é que essa palavra existe. Portanto, amiguinhos, preparem-se que vem muito mais barrel por aí. E, quem sabe, muito mais boas surpresas como o 10 do Medina e a derrota do Slater (que baita onda que foi aquela primeira do Coleborn). Afinal, campeonato bom é assim: ondas boas e surfistas melhores ainda. Que venha o 3º round. E um bom energético para deixar a gente acordado mais uma noite.

PS: ainda não vamos comentar ou comemorar a até então participação brazuca. Apesar do angú estar cheirando bem, ainda é muito cedo para tirar conclusões.

Homens ou meninos?

Internautas deste nosso Brasil, chegou a hora de separarmos os homens dos meninos. Neste domingo começa o momento mais esperado de todo o tour: a perna do Pacífico. Serão dois eventos seguidos com ondas de gente grande e com a chance de definir quem vai atrás de título e quem vai fazer número até o final do ano. Depois dessas duas etapas, o tour vai estar no meio da sua corrida. E do jeito que a coisa está disputada, quem não estiver no pelotão da frente, dificilmente vai conseguir chegar ao cume antes dos outros. No quesito emoção e adrenalina, Fiji e Teahupoo tem tudo para serem os eventos do ano. Isso, claro, se aquele detalhezinho aparecer: as ondas. No quesito mostrar serviço, todos aqueles que ainda não se deram bem esse ano tem a chance de virar o jogo em ondas de verdade, mostrando que a fase ruim já foi jogada para o canal. No quesito surfe, não precismos nem comentar muito, né? Com o swell mostrando as caras, esses dois picos colocam quase todas as outras etapas no bolso. A única que se salva aí é Pipeline. Mas, até lá, pode ser tarde demais para alguém querer recuperar o tempo perdido. O título pode já estar definido. A degola, também. Melhor não arriscar, né não? Sendo assim, nosso conselho é que os tops passem bastante parafina na prancha e acelerem tudo o que puderem para sair dos tubos (e fugir dos corais). Morrer nos cilindros dessas duas etapas pode ser o início de uma possível morte no tour.

O fim do mundo começou pelo WT.

Ainda é muito cedo para dizer se o mundo vai mesmo acabar em 2012 ou se é tudo ladainha. Por enquanto, o único que parece correr sérios riscos de perecer perante o apocalipse é o nosso amado World Tour of Surfing. Semana passada saiu a triste notícia dizendo que JBay não pertence mais ao grupo de elite dos eventos. Foi, no jargão técnico, rebaixado a Prime 6 estrelas. Acredito que não é preciso dizer aqui o quanto essa mudança irritou o staff do Cérebro de Ostra. Todos os palavrões conhecidos foram diversas vezes repetidos em nossos corredores e salas de reunião. Houve até um início de tumulto no bloco B. Mas tudo não passou de um diretor tentando pegar uma estagiária. Passada a raiva inicial, realizamos que não havia nada a fazer a não ser nos abraçar às etapas que sobraram. Assim, tudo voltou ao normal no Reino do CDO. Pelo menos até a manhã de segunda-feira, quando fomos surpreendidos por outra notícia bombástica. Boatos garantem que o evento de Fiji também vai ser cancelado. Sim, ainda são apenas boatos mas vai dizer isso aqui para a equipe. Mesas e cadeiras estão pegando fogo há mais de 24 horas. Todas as janelas foram quebradas e nem o gás lacrimogêneo jogado pela policia acalmou os ânimos. Como assim vão cancelar mais um evento? (Um que nem existiu, diga-se de passagem). E não venham com esse papinho de crise financeira e falta de verba. Quer dizer que ninguém fez as contas antes de anunciar a etapa? Isso aí é uma empresa ou um berçário? Na hora de cobrar 270 reais numa bermuda não existe crise, né não? Mas para devolver parte desse dinheiro em forma de evento para a comunidade do surfe, aí sim ela aparece. Vamos parar por aqui para não ofendermos ninguém e arrumarmos encrenca para nosso lado. Como o cancelamento ainda está no estado “boato”, ainda há esperança. Mas é bom os responsáveis ficarem espertos. Ainda há muita cadeira para queimar aqui no nosso quartel general.

Cérebro de Ostra conquista sua 1ª vitória internacional.

Meus pedidos foram atendidos. Depois de reclamar, reclamar e reclamar mais um pouco, as autoridades competentes resolveram me ouvir e tomaram uma atitude. Ou talvez eles tenham ficado de saco cheio de tanto eu incomodar e fizeram alguma coisa só para ver se “aquele mala do Cérebro de Ostra para de escrever email para a gente”. Seja qual foi o motivo, a verdade é que estou realizado com a notícia. Até que enfim trouxeram uma onda digna de WT. Ou melhor, duas, já que no pacote de Fiji tem Cloudbreak e Restaurants. Devido a minha militância em prol da qualidade de ondas no circuito, recebi mensagens de diversos surfistas me parabenizando pela conquista. E algumas de surfistas me detonando. Mas tudo bem, o que vem do Twitter não me atinge. Aqui estão algumas delas, exclusivas para sua apreciação.

“Você é o cara. Agora vou continuar no tour até os 93 anos.”

Kelly Slater

“Valeu brother!! Vou dar altos floaters naquelas valas.”

Adriano de Souza

“F#•k!!!! Lá em Fiji não tem mulher para eu catar. Odiei a decisão seu looser.”

Taj Burrow

“Parabéns pela conquista. Vou mandar um swell de 12 pés para vermos quem é quem nesse tour.”

Netuno (sim, o próprio)

“Seu idiota, deveria ter conseguido isso para esse ano. No que vem, não vou mais estar lá.”

Taylor Knox

“Boa leski…Agora começa a campanha por Saquarema que aí eu volto pro tour.”

Raoni Monteiro

O Bruce e o Slater são duas farsas.

Se a frase acima for lida por um leigo no assunto surfe, o mundo continua tal e qual sempre foi. As 4 estações continuam em perfeita ordem, a Deborah Secco continua incrível e a Copa de 2014 continua enchendo o bolso de todo mundo, menos o meu e o seu. Mas (but, como dizem os yankees) se a frase acima for lida por um surfista ou simpatizante, a história é outra. O mundo pode nunca mais ser o mesmo. Uma série de ciclones e furacões é capaz de assolar o planeta em revolta à estúpida afirmação. Como assim o Bruce e o Slater são farsas? Os dois estão na lista dos melhores de todos os tempos. E um deles ainda lidera essa lista. Quem foi o Cérebro de Ostra que escreveu isso? Muita calma nessa hora. Antes que você se junte ao exército dos fenômenos climáticos, explico-me. Fui um pouco sensacionalista na frase, mas foi só para chamar sua atenção. Também acho que eles surfam muito. Só que teve um fato que chamou a atenção. Durante o hiper-mega-power swell em Fiji, Slater e Bruce não foram destaque. Um fato raríssimo. O que rolou, é que o surfe de ondas grandes evoluiu tanto, que até 2 ex-campeões do Eddie estão com dificuldades de acompanhar. Pensando bem, acho que chamar os dois de “farsas” é até positivo. Como disse, essa afirmação caótica vai trazer ciclones e furações com ondas enormes. Perfeito para eles treinarem e correrem atrás do prejuízo.

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