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Medina é campeão do Pipe Masters!

B

Antes que você tenha um ataque cardíaco, vamos esclarecer uma coisa: a manchete acima não é verdadeira. Estamos apenas treinando para um futuro post. Depois do que o Medina fez ontem em Pipeline, ficou mais do que claro que o garoto é um exímio tuberider. Ele se deu ao luxo de descartar uma nota 8 e alguma coisa na bateria em que escovou o pobre Kolohe. Para aqueles que insistiam em falar que o Gabriel só sabia dar aéreo, lamentamos informar mas eles vão ter que procurar outras formas de tentar diminuir o surfe dele. Medina mostrou uma intimidade com Pipe de dar inveja a muito havaiano. É por tudo isso que tomamos a liberdade de escrever a manchete desse post. Foi nosso treinamento para o que vem por aí. Seja nesse ano ou nos próximos, Medina parece saber o caminho para se tornar um Pipe Master.

Título Mundial

Como já era de se esperar, Slater e Parko estão surfando muito. E, que Netuno nos ajude, existe uma grande possibilidade do título ser decidido na final. Já imaginou? Como diria o mala do Galvão Bueno:  “Prepare seu coração…”

O surfe errou. De novo.

Daí o caboclo treina 12 horas por dia. Cai na água as 5 da matina, alonga a cada 4 horas, corre na areia, testa 18 pranchas diferentes e dá 832 aéreos até dominar o movimento (sendo que no processo ele torce o tornozelo 6 vezes e arrebenta o joelho umas 4). Tudo isso para quê? Para chegar na final do WCT e o juíz errar a nota? Se é que errar é a palavra certa. O mundo do surfe errou ao não dar o título para o Gabriel Medina em Portugal. Mais um erro para a ASP, que parece ter prazer em acumular cagadas (desculpem o termo) no seu currículo. O que aconteceu hoje na final de Portugal não pode acontecer mais. Nem com o Medina, nem com os outros brasileiros, nem com ninguém. O surfe não pode ser assim. O surfe não pode virar o novo futebol e viver de interesses e palhaçadas. Por favor, não. O tour precisa de seriedade. O tour precisa parar de se preocupar com o tamanho da Jacuzzi na área de competidores e passer a cuidar da raiz do esporte. O tour precisa, urgente, de uma melhoria no seu sistema de notas. Do jeito que está, não dá. Os juízes de futebol daqui já estão ficando até com ciúmes dos erros da turma da ASP. “Não vem, não! Errar é coisa nossa!”, bradou um nobre juíz que apita o brasileirão de futebol ao saber o resultado do Medina. Infelizmente, não tem julgamento do Mensalão que faça justiça nessa história. Bem que gostaríamos de anunciar aqui, em primeira mão, que o resultado foi revisto, que alguns juízes foram afastados das próximas 2 etapas e que o caneco passou para as mãos do Gabriel. Mas sabemos que isso é um delírio de quem tem muita água salgada na cabeça. E algumas cervejas. O jeito é sacudir a areia, engolir o choro e dar a volta por cima. De preferência, mandando um “fuck” para a turma da ASP assim que sair do tubo. Valeu, Medina. Você mandou muito bem. E se liga, ASP. Você mandou muito, mas muito mal.

Caixinha de Surpresa invade Teahupoo.

Sim, ainda é muito cedo para fazer qualquer análise detalhada sobre Teahupoo. A única conclusão que podemos tirar até então é que o futebol perdeu o rótulo de esporte “caixinha de surpresa” para o surfe. Por que? Você nos pergunta por que? Ora, ilustríssimo leitor de blogs quase sem cérebro, os fatos são evidentes. Para começar, Teahupoo, a onda mais punk-power do circuito fica 10 dias com menos ondas que o lago Paranoá. Surpreendente, né não? A segunda evidência veio quando o cara que pode se tornar um dos grandes tube riders do país, Ricardo dos Santos, eliminou um dos maiores tube riders do mundo, um floridiano de nome Kelly Slater. Outra vez surpreendente, né não? E detalhe: apesar de todos os méritos na vitória do Ricardo, ela veio com um erro desse tal de Slater, o que é algo raro e também surpreendente. E, se até agora você ainda não está convencido que o surfe é, sim, uma caixinha de surpresas, aqui vai a prova cabal: Medina, o garoto criado em beachbreaks, atropelou JJ Florence, o garoto parido em corais e amamentado em Pipeline. É, meu amigo, como pode ver, a caixinha de surpresas resolveu praticar outro esporte. E o melhor de tudo, é que, ao que parece, ela resolveu ser brasileira. Só esperamos que a coisa continue assim no última dia do campeonato. Tomara que a lógica fique tão quetinha no canto dela quanto Teahupoo ficou nos últimos 10 dias.

Te cuida, Mr. Slater.

Quando o assunto é a sucessão do Mago Slater, a mídia especializada já usou de tudo. Já falaram do Dane. Já falaram do Jordy. Já falaram do Kolohe. Já falaram do Medina. Já falaram de meio mundo. A única coisa que não falaram é da lógica. Ou melhor, da loira. Enquanto a gente perdeu nosso tempo exacerbando o talento e tentando criar um futuro brilhante para esse ou aquele surfista, a Stephanie Gilmore foi colecionando títulos mundiais. O mundo procurando e o novo Slater ali na frente, com uma vasta cabelira, só para variar um pouco para aqueles que já se cansaram de ver uma careca no pódio. Daí vêm os críticos e dizem: “mas ela é mulher, Sr. Cérebro de Ostra.” Ao que nós respondemos: “E?” A procura não é por alguém que surfe muito, que seja muito superior aos seus concorrentes e que tenha uma porção de títulos mundiais? Pois então pronto. A Steph tem tudo isso. De sobra. Em 6 temporadas no tour, ela ganhou 5 títulos. Tá bom para você? Mas se os números não são suficientes para te convencer, assista a moça surfando. Além de você ter o prazer de ver um belíssimo par de pernas (infinitamente mais bonitas que as do Slater), você vai se deparar com um surfe fluído e de primeira linha. Uma espécie de Joel Parkinson feminina. Com a diferença que ela tem um monte de títulos e o Parko, nenhum. Sim, muitos podem falar que a Layne Beachley tem 7 canecos e tal. Pura verdade. Mas na época da Layne o surfe feminino não era nem 1 milésimo da disputa e do nível que está hoje. Sem querer desmerecer os títulos dela, mas a tarefa da senhorita Gilmore foi bem mais difícil. E número de título por número de título, vale lembrar que a Steph tem apenas 24 anos. Ou seja, tem muito tempo pela frente para quebrar os recordes da Layne e do Slater. Juntos.

Os aéreos estão acabando com os surfistas.

De uns anos para cá, o surfista ganhou uma nova companhia nos outsides: as contusões provocadas pelos aéreos. E aí vêm as perguntas que não querem calar: será que estamos chegando ao limite da brincadeira? Será que a altura já está chegando num ponto onde joelhos e tornozelos não aguentam mais o pouso? Será que o excesso de giros no ar está deixando os caras grogues e sem noção do que estão fazendo? É possível. Há não muito tempo, dar um aéreo de 30 centímetros acima da onda já era motivo para uma nota 9,57 em qualquer campeonato ao redor do globo. Hoje, para que essa nota se repita, é preciso que baixe o espírito Daiane dos Santos nos profissionais. Ou eles mandam um duplo twist carpado (sem as mãos na borda) ou ficam em combinação. Ainda mais se caírem numa bateria contra o Medina. Voltando às contusões, a real é que se levarmos em conta apenas o que vemos nos campeonatos, não há razão para preocupação. O problema é que para acertar um aéreo na bateria, é preciso errar outros 147 no treino. E aí, queridos internautas, é que mora o perigo. Quanto mais o ser humano erra, mais ele quer acertar. E quando ele finalmente acerta, olha para o lado e vê alguém completando um outro aéreo mais invocado e fica puto da vida. Daí ele rema com tudo na onda seguinte, acelera, cerra os dentes, voa a 2 metros de altura, gira como uma barata tonta e, na volta, ouve um click. Não, não era a máquina do fotógrafo registrando o momento. Era o joelho dizendo que não deu para ele.

O rato branco está de volta.

Quem diria. Com tantos nomes novos no tour, a bola da vez é um velho conhecido da galera. Mick Fanning, o bi mundial que todo mundo achava que já estava sossegado com seus títulos, resolveu voltar a surfar que nem gente grande e assumiu a ponto da corrida. Apesar de surfar muito, mas muito mesmo, Mick nunca foi o surfista favorito na maioria das rodinhas. Joel, Kelly, Taj, Andy e outros sempre vieram na frente dele na lista de ídolos. Mas o branquelo australiano nunca deu bola pra essas coisas. Como um verdadeiro campeão, ele nem ligou para o que a torcida falava e partiu para cima de seu título mundial. Ganhou, surfou muito mas, ainda assim, não virou o ídolo de muita gente. Foi então que ele decidiu que precisava mostrar que aquilo não era sem querer. Mick então treinou, treinou e treinou. Parecia mais um Rocky Balboa do que um surfista profissional. Carregou toras, puxou carroças, fez rebocos, levantou paredes e depois quebrou-as com um peteleco. No final, Fanning conquistou mais um título. O bi. E ainda assim o pessoal não deu muita bola pra ele. Falavam mais do título que o Parko nunca ganhou do que dos 2 que Mick ganhou. Pelo visto, isso deve estar irritando o tal lado Eugene do Fanning. Aí meus caros amigos de internet e de outside, nós já sabemos como termina essa conversa. Mick vai treinar, vai surfar como se deve surfar uma bateria e vai correr sérios riscos de terminar o ano com um troféu de campeão mundial no colo. Tudo bem que ele nunca vai tirar um aéreo rodado para virar a bateria como o Kelly. Tudo bem que ele nunca vai tirar 3 aéreos rodados na mesma onda, como o Medina. Ou tão pouco vai fazer o tubo do ano em Pipe, como o JJ Florence. Mas quem liga? Quando esses 3 aí e os outros 28 tops se derem conta da blitz albina, pode ser tarde demais.

Hora de engatar uma 3ª no WT.

Hoje vamos direto ao ponto. Sem muitos rodeios para você poder passar mais tempo vendo fotos das amigas gostosas no Facebook. É o seguinte, está na hora dos brasileiros engatarem uma 3ª marcha no tour. O ano começou com a previsão de atropelamento por parte do time tupiniquim. Tínhamos até a perspectiva de um campeão mundial, finalmente. Sem falar em tops 5, 10 e 16. Hoje, a realidade está um pouquinho diferente da que deve ser. De concreto mesmo, só as boas atuações e resultados do Mineirinho. Sim, sabemos que ainda é cedo, que tem muita etapa pela frente e blábláblá e blábláblá. Mas não adianta sonhar grande e ficar dormindo até a 6ª etapa, né não? O Heitor e o Miguel até que estão no caminho certo. Só poderiam ter aproveitado a etapa brasileira para fazer uma quartas ou semis e pegar confiança para o desafio Fiji/Tahiti que vem pela frente. Já o resto da turma precisa correr um pouco mais atrás para tirar a diferença. O Alejo parece que começou seu sprint até o pelotão da frente no Rio. Mas ele precisa manter o pé embaixo na perna do Pacífico se quiser brincar com os grandes lá na frente. O Raoni está fazendo o que pode e agora tem duas ondas pesadas para mostrar seu surfe. Já o Jádson e o Medina precisam dar uma nova largada. O ano deles começou com o pé esquerdo fora da rabeta. Foram 3 péssimos resultados no WT para o grande talento dos 2. O Medina ainda ameaçou crescer depois da vitória em Trestles mas foi alarme falso. Sendo assim, daqui em diante é quartas de final para frente. E não se fala mais nisso, ok? Então pode voltar para seu Facebook e para suas amigas gostosas. Faremos o mesmo.

 

O único lado bom do 2º round no Rio.

Não foi o recomeço que a gente esperava. As ondas não estavam lá essas coisas. Surfistas, idem. E, para completar, o Medina, esperança nacional, perdeu. Poderia ser um dia para esquecer, não fosse por um ponto positivo: quem ganhou do Gabriel foi outro brasileiro que promete: Peterson Crisanto. Teve também a vitória do Heitor, é verdade. Mas, como fiel seguidor do surfe dele, o CDO já sabia que isso iria acontecer. Portanto, sem novidades. Para completar o dia nublado (no sentido literal e figurado) para os brasileiros, Jádson, William, Tomas e Raoni também deram tchauzinho para a etapa. Uma senhora degola, né não? De 7 soldados no 2º round, restaram apenas 2. O pior é que, no mínimo, mais um brazuca vai dar bye-bye para o WT Rio. Alejo e Heitor se enfrentam no 3º round. Ou seja, uma baixa já está garantida. Só nos resta torcer para que as ondas melhorem um pouco. Assim a vantagem de surfar em casa pode aparecer e ajudar nossa tropa. Do jeito que o mar está, o fator “sorte de achar uma vala decente” está fazendo tanta diferença quanto o fator “surfe no pé”. Os números comprovam isso. Teve gente passando bateria com notas 6.0, 8.7, 9.33 e outras do gênero. Detalhe: isso aí já é o somatório das duas ondas. Entendeu o drama? Mas tudo bem. Amanhã é outro dia e os ventos soprarão a nosso favor. Assim esperamos.

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