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Que passa com Jordy?

Alguém aí reparou, entre uma session de surfe e outra, que o Jordy Smith está meio jogado para escanteio no mundo surfístico? Do nada, o cara que era considerado o próximo Slater (como muitos outros já foram considerados isso), o cara que era considerado o próximo campeão mundial e o cara que era considerado o único que podia fazer frente ao surfe do Dane Reynolds, virou apenas mais um. Vai entender. O surfe dele continua o mesmo. Seu ranking também não é de se jogar fora, hoje ele é o 8º do mundo. Mas, mesmo assim, pouco ouvimos e vemos dele esse ano. Com a precocidade e a ferocidade da nova geração de Medinas, Kolohes, Julians e Johns, ou você vai para ou tudo ou nada, ou fica mesmo sem espaço nos sitezinhos especializados. Porém, PO-RÉM, como este não é um sitezinho qualquer, vamos falar do Jordy. E quem não gostar que vá para las tosqueras que estão por aí. Como já era esperado, nas duas primeiras etapas do ano, com direitas a torto e à direita (gostou dessa?), o sulafricano foi bem e mostrou o surfe de quem foi criado bebendo o suco de Jeffreys no café da manhã. Na outras duas etapas, como também já era de se esperar, ele não foi tão bem assim. Mas também não foi tão mal a ponto de ser esquecido por todos. Surfe o Jordy ainda tem muito. Juventude, também. Ele pode não ter mais o arqui-rival Dane para fazer companhia. Mas tem um montão de moleque novo no outside para ele atropelar com seus aéreos superman. Para ganhar espaço nos tais sitezinhos e tal, cabe ao Jordy escolher um e partir para cima com tudo na próxima etapa. Só é bom ele não escolher o errado. Ou vai acabar sumindo até dentro d’água.

O Escolhido.

Não é de hoje que a ASP busca uma nova rivalidade no surfe. Depois de Andy x Kelly, ficou um buraco nesse quesito. Tentaram um Jordy x Dane, mas foi em vão. Depois veio um Slater x Jordy, mas também não pegou. E agora acharam uma nova oportunidade. Owen Wright, pelo que parece, é o escolhido da vez (pelos juízes, pela ASP, pela mídia,..) para brincar de rival do Kelly. Owen é, na verdade, o substituto do Jordy Smith. Uma contusão do sul-africano e uma surpreendente apresentação do australiano em Teahupoo, mudaram os planos do mundo do surfe e colocaram o garoto cabeludo para brincar de pega-pega no ranking com o senhor careca. Sim, as rivalidades fazem bem ao esporte. Mas pobre de alguém que pensa que essa coisa aí entre o Owen e o Slater vai dar muita fagulha. O Owen surfa muito e pode levar o caneco, com certeza. Mas falta nele aquilo que os médicos chamam de sanguenuzóio (que é exatamente o que o Andy tinha de sobra). É esse pequeno elemento que caracteriza uma rivalidade e, no caso do Andy, é o que fazia o Slater ter dúvidas em relação à sua capacidade, deixando a briga mais interessante. Vale dizer que o Jordy também não tem lá muito isso no seu DNA. Mas o surfe dele estava tão apurado, que fazia todos acharem que um Coelho poderia sair da sua cartola. O surgimento do Owen foi uma salvação para a ASP. Não fosse ele, o Slater estaria disparado na liderança. Para melhorar ainda mais a coisa, ele é jovem (dá para explorar o duelo de gerações), goofy (dá para criar uma disputa entre pés direito e pés esquerdo) e ozzy (um duelo de países não faz mal a ninguém). Perfeito para uma rivalidade, não? Resta saber até quando o Owen vai ser o cara da vez. Se o Jordy voltar com o mesmo surfe de antes, duvido que aceite ser um mero figurante. Aí sim teremos uma briga mais concreta: Smith x Wright. Co isso, o Slater pode, enfim, se aposentar.

A gente esperava mais de JBay. E você?

Apita o juiz. Acaba a 4ª etapa do circuito mundial de surfe. Se você ainda não sabe (o que eu duvido), o campeão na África foi o africano Jordy Smith. Como gostam de dizer os analistas esportivos mais sérios, deu a lógica. Mas como o Cérebro de Ostra não tem nada de sério, vamos analisar alguns pontos obscuros do que rolou na formosa JBay. Temos a honra de lhe informar que essa semana será 127% reservada para a análise de fatos e observações importantes sobre essa última etapa. Sim, pode comemorar. Pela primeira vez na história do surfe mundial, vamos perder uma semana inteira discutindo um campeonato. Parece até coisa de futebol, que discute se foi pênalti ou não, durante 83 dias e 7 horas seguidas. Mas vamos aos fatos. Jordy venceu com merecimento. E se o Fanning tivesse vencido, também seria merecido. Dói me dizer isso, mas o mesmo vale para o Joel. Entre os brasileños (duvido que você já não tenha visto), quem chegou mais longe foi o mezzo argentino e mezzo catarinense, Alejo Muniz. Pronto, agora chega de enrolar, porque isso aqui não é sitezinho de notícia. Isso aí a gente deixa para o resto. Nosso negócio é falar verdades nuas e cruas, na lata (aliás, duvido que você já não tenha percebido isso). Os brasileiros decepcionaram. E muito. O líder do ranking (ou melhor, ex-líder), Mineirinho, também foi o líder da decepção tupiniquim. Vale lembrar que ele perdeu para o Kai Otton na 1ª fase. Repito: Perdeu para o Kai Otton. Esperava-se bem mais de quem tinha o posto de chefe dos tops. Outro que também ficou devendo foi o Jádson. Onde foi parar o backside afiado e o surfe da nova geração? Será que ele esqueceu de colocar na mala? Ou foi perdido em alguma escala até Jeffrey’s? A verdade é que Jádson sucumbiu para o surfezinho ultraconservador e megaentediante do Damien. Agora, resta torcer para que nossa trupe dê a volta por cima em Teahupoo. Agora que sentimos o gostinho de ser líder, queremos mais. De preferência, deixando o Kai Otton em combinação para mostrar quem manda.

Ultimate Beach Fighter 1 – DANE x JORDY

Bem amigos da Rede Cérebro de Ostra. Estamos aqui para acompanhar o duelo mais aguardado dos últimos tempos. No red corner, com 1,83m e 79kg, temos o americano: Dane “The Golden Boy” Reynolds. No blue corner, com 1,88m e 86 kg, a maior estrela do surfe sulafricano nos últimos 25 anos: Mr. Jordy “The Saffa” Smith. Toca o gongo e começa a disputa. Jordy se adianta e sai na frente com duas marretadas de front. Dane tenta mostrar serviço mas cai. Jordy continua no ataque e manda uma sequência básica mas eficiente– rasgadão, floaterzão e aéreozinho. Dane tenta atacar mas não é feliz. E vem mais Jordy por aí. O leão africano acelera e manda 3 manobras seguindo a cartilha, finalizando com um air double-grab. A torcida se levanta das cadeiras de praia. Os juízes olham para Dane para ver se ele ainda tem condições de pelejar. Tensão no ar. Será que é o fim do queridinho da mídia? Será que acabou para o favorito do crowd? Eis que Dane respira fundo e começa a soltar seu arsenal. Uma paulada mais bonita que a outra. Todas fora da cartilha. Todas. Os comentaristas vão a loucura. O crowd idem. Quando ninguém mais acreditava no california kid, ele tira o espírito Rocky Balboa da cartola e faz o impossível. Todos os juízes dão 10 no round. Jordy tenta uma reação mas é tarde demais. E conservadora demais. Na premiação, “The Saffa” falou as palavras que o público queria ouvir. Já Dane, não apareceu. Aproveitou que todos estavam olhando para o palanque e pegou umas ondas sem ninguém fotografando.

Winner: Dane Reynolds – por pontos e por não fazer o que os outros querem que ele faça.

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