Archive for the tag “Medina”

Portugal é passado.

Slater vacilou muito. Mick vacilou um pouco e John John vacilou um bocadinho. Essa é a conclusão final do que rolou em Portugal. Não importa mais as ondas, as pranchas quebradas e os erros dos juízes. No fim das contas, o que sobra são os pontos no ranking. Eles que serão levados para a próxima etapa. “Mas passaram a mão nas notas do Medina, isso não pode ficar assim.” – é o que você vai dizer. Saiba que nem os juízes, nem os outros surfistas estão ligando mais para isso. É passado. Agora, faltam apenas duas etapas. Um título mundial e uns cortes na 1ª divisão precisam ser definidos. Ou seja, ninguém mais está pensando no que rolou na final na terra do Cabral. Para o Medina e qualquer outro surfista que tenha se sentido prejudicado, restam duas oportunidades para dar a resposta aos juízes dentro d’água. E aí, quem vai se habilitar a esfregar na cara dos juízes da ASP quem é que surfa de verdade? Vamos ter que esperar a próxima etapa da Santa Cruz para descobrir essa resposta.

O US OPEN em 17 linhas.

Estamos de volta com o blog mais “enterra a borda” do surfe universal. Se você estava se perguntando “Ué, onde estão os cerebrais?”, saiba que não é fácil gerenciar a vida de surfe, mulheres e internet. Na nossa volta, vamos bater palminhas para o Julian Wilson que ganhou o US Open e um checaço de 100 mil doletas. Verdade seja dita, nós aqui não somos muito chegados nesse campeonato, não. Eita onda fraquinha e sem graça. E ainda tem gringo que tem a pachorra de falar mal das ondas brasileiras. Huntington tem que nascer mais umas 5 vezes para ter ondas como as da Barra, por exemplo. E com o tamanho que estava, o campeonato quase virou um “Air Reverse Contest” de tanto que a turma lá mandou essa manobra. Que os brasileiros iriam bem nesse campeonato não era nenhuma surpresa. Qualquer ser humano com cabeça, corpo e membros sabia que os heróis verde e amarelos tinham grandes chances. E não deu outra. Surpresa mesmo foi o Filipe Toledo entre os destaques. Belíssima participação do garoto que ao lado do Mineiro, Medina e Pupo, foi escovando gringo atrás de gringo até serem parados por si mesmos. No meio do caminho, ainda deu para o Pupo dar uma atropelada no Slater antes de ser parado na final pelo Julian Wilson. No final das contas, não ficamos com o título. Mas tudo bem, pelo menos você pode comemorar a volta do Cérebro de Ostra.

Que passa com Jordy?

Alguém aí reparou, entre uma session de surfe e outra, que o Jordy Smith está meio jogado para escanteio no mundo surfístico? Do nada, o cara que era considerado o próximo Slater (como muitos outros já foram considerados isso), o cara que era considerado o próximo campeão mundial e o cara que era considerado o único que podia fazer frente ao surfe do Dane Reynolds, virou apenas mais um. Vai entender. O surfe dele continua o mesmo. Seu ranking também não é de se jogar fora, hoje ele é o 8º do mundo. Mas, mesmo assim, pouco ouvimos e vemos dele esse ano. Com a precocidade e a ferocidade da nova geração de Medinas, Kolohes, Julians e Johns, ou você vai para ou tudo ou nada, ou fica mesmo sem espaço nos sitezinhos especializados. Porém, PO-RÉM, como este não é um sitezinho qualquer, vamos falar do Jordy. E quem não gostar que vá para las tosqueras que estão por aí. Como já era esperado, nas duas primeiras etapas do ano, com direitas a torto e à direita (gostou dessa?), o sulafricano foi bem e mostrou o surfe de quem foi criado bebendo o suco de Jeffreys no café da manhã. Na outras duas etapas, como também já era de se esperar, ele não foi tão bem assim. Mas também não foi tão mal a ponto de ser esquecido por todos. Surfe o Jordy ainda tem muito. Juventude, também. Ele pode não ter mais o arqui-rival Dane para fazer companhia. Mas tem um montão de moleque novo no outside para ele atropelar com seus aéreos superman. Para ganhar espaço nos tais sitezinhos e tal, cabe ao Jordy escolher um e partir para cima com tudo na próxima etapa. Só é bom ele não escolher o errado. Ou vai acabar sumindo até dentro d’água.

Tudo que você não quer saber sobre Fiji.

Vamos tirar logo da frente o assunto Slater. Ele surfou mais que todos praticamente o evento inteiro. Do round 3 em diante, em todas as baterias ele fez mais de 18 pontos. Todas. Sorte? Estratégia? Não. Foi o resultado de quem dedica horas ao surfe e a onda em questão. As pauladas dele de backside foram a maior prova disso. Nenhum outro top chegou nem perto de manobrar naquele nível. O único que podia fazer algo parecido, chamava-se Andy Irons, que deve ter aplaudido a performance do ex-inimigo de pé. Mas chega de Slater. Falemos de Medina. Queridos e queridas, se vocês tinham alguma dúvida, saibam que o Medina sabe, sim, entubar. E muito. O garotôn deixou mais claro que as águas fijianas que sabe se entocar e andar lá dentro. Ainda precisa evoluir? Claro que sim, qualquer pessoa de 18 anos ainda tem muito o que crescer. Mas que ele já mostrou que tem talento para a coisa, mostrou. Por o Medina ser da mesma geração do John John, é extremamente importante dominar a arte dos barrels, para não virar saco de pancadas do havaiano nos eventos tubulares do tour. Mas chega de falar dos finalistas. Como fãs do surfe, não podemos deixar de falar dos gêmeos que deram show em Fiji. CJ e Damien já são praticamente cartas fora do barulho “título mundial”. Até do Top 10. E isso não é de hoje, não. A chegada da nova geração e do novo estilo de surfe do tour não casou com a proposta deles. Pelo menos até essa última etapa. Mesmo sem chegar à final, os dois mostraram um surfe fabuloso em qualquer condição de mar, mostrando para os babys do tour, que eles ainda tem muito o que evoluir em ondas de verdade. Para finalizar, palmas também para o Mineiro. Ele mais uma vez mostrou que não está de brincadeira. A evolução no surfe do rapaz é evidente. Em todos os tipos de onda. Falta ganhar uma etapa para botar pressão na gringaiada. Pena que a próxima é Teahupoo e, ao que parece, um tal de Kelly Slater deve estar lá.

Que venha o 3º round. E logo.

Fala a verdade meu caro internético, assistir um campeonato com tubos é um diversão e tanto, né não? Nada contra os aéreos. De forma alguma. Mas um tubão nunca, jamais, será superado. Na boa, o tubo nota 10 do Medina foi melhor que qualquer aéreo que ele completou esse ano. Foi mais emocionante, foi mais adrenalizante e foi mais surfe. E não tem discussão. O mesmo comentário vale para outros tubos e surfistas. Mas a comparação com o Medina é a mais lógica, já que ele é o “Mr. Aéreo”. Num campeonato desses, até as vacas são legais de assistir. Tem umas ali que causam até uma dorzinha virtual. E o melhor disso tudo é que o mar em Tavarua pode ficar ainda melhor. Com o swell que vem vindo, a coisa vai ganhar ainda mais consistência e tubularidade, se é que essa palavra existe. Portanto, amiguinhos, preparem-se que vem muito mais barrel por aí. E, quem sabe, muito mais boas surpresas como o 10 do Medina e a derrota do Slater (que baita onda que foi aquela primeira do Coleborn). Afinal, campeonato bom é assim: ondas boas e surfistas melhores ainda. Que venha o 3º round. E um bom energético para deixar a gente acordado mais uma noite.

PS: ainda não vamos comentar ou comemorar a até então participação brazuca. Apesar do angú estar cheirando bem, ainda é muito cedo para tirar conclusões.

Final (in)feliz no Rio.

Não era bem isso que tínhamos em mente para o WT no Rio. Nenhum brasileiro na final não passava na cabeça de ninguém aqui na nossa redação. Nem na da tia do café. Nenhum brasileiro nas semis então, nem se fala. Com o time que tínhamos e com as ondas que apareceram, o roteiro estava montado para chegarmos até a final. E ganharmos. O final feliz estava prontinho. Só que esqueceram de avisar tudo isso ao John John, Parko, Mick e Josh. Uma pena. O filme parecia ser ótimo. Depois da decepcionante derrota do Medina logo no começo da etapa, só uma vitória poderia lavar (com água salgada) nossa alma. Mas ela não veio e ponto. O jeito é engolir o choro e partir para a próxima. Agora nossos nobres guerreiros vão ter que providenciar seus primeiros lugares em águas internacionais. E, pelo caminho, terão que passar pelos 4 nomes citados algumas linhas acima. Joel, Fanning e Josh estão no topo do ranking e com o surfe em dia para correr atrás de um título mundial. Os 3 parecem muito afiados e com muita vontade. Sem falar que eles têm muitas horas de surfe nas ondas que vem pela frente, Cloudbreak e Teahupoo. Ou seja, quem quiser ganhar dos caras vai ter que cair na água com a faca nos dentes. Já o quarto nome citado, é o mais preocupante de todos. O tal do JJ Florence está surfando muito. E, dos 4 mosqueteiros, é o que tem mais surfe para as ondas que vêm a seguir. Fabricado em Pipe, Jota Jota domina a arte das esquerdas tubulares e, para completar, ele está confiante e com a moral no 23º andar, depois da vitória no Rio. Nesse caso, nem faca nos dentes vai ser capaz de segurar o garoto. O lance é cair na água com um porrete e duas granadas de efeito moral nos dentes. E, ainda assim, será preciso surfar muito.

Os 10 candidatos ao título mundial.

Aleluia, irmãos. O WT está voltando. É com um tremendo sorriso na cara que temos a honra de lembrá-lo que dia 25 de fevereiro (sábado) começa a primeira etapa do tour. Como não poderia deixar de ser, os intrometidos aqui do Cérebro de Ostra resolveram fazer um prognóstico do que vai acontecer. A famosa previsão, sabe? Depois de muito estudo, pesquisa e packs de cerveja, ficou concluído que o título mundial será uma batalha entre dois grupos distintos: os De Sempre e os De Hoje. No grupo dos De Sempre estão, claro, os 5 surfistas que sempre cutucam o título: Kelly, Parko, Mick, Jordy e Taj. No time dos De Hoje, estão os surfistas que hoje em dia estão causando os maiores estragos nas baterias: Medina, John John, Owen, Julian e Mineiro. Desses 10 nomes, 1 deles sairá aclamado campeão do mundo em dezembro de 2012. Pode anotar aí. Dificilmente outro nome da lista dos tops vai invadir esse grupinho e tomar a taça deles. Caso seu surfista favorito não esteja entre os 10 mais do CDO, nos desculpamos. Não é nada pessoal. Isso aqui é sério demais para ficar com intriguinhas com esse ou aquele surfista. Isso é coisa de salão de cabeleireiro, não de blog. Quem duvidar da nossa previsão, que guarde esse post e esfregue na nossa cara no final do ano. Sem dó. Teremos a humildade de reconhecer nosso erro. E, até lá, também teremos tempo o suficiente para pensar numa boa desculpa para ele.

Quem não tem Havaí, caça com Noronha.

O próximo foco dos surfistas profissionais e dos viciados em surfe profissional (nós aqui do CDO e você) é o Prime que rola em Noronha a partir do dia 7. Gringos e brasileiros vão ficar ligados em tudo o que rola na Cacimba. Os gringos torcendo para os gringos e os brasileiros torcendo para os brasileiros, obviamente. Acontece que o pessoal aqui do CDO vai fazer uma torcidinha extra. Vamos cruzar os dedos para as ondas bombarem, assim como tem acontecido no Havaí. Por mais que essa temporada no arquipélago não seja um destaque pelos swells gigantes, toda hora tem entrado onda de médio porte (10 a 12 pés está bom para você?), intercalados por belos mares de 6 a 8 pés. Ou seja, enquanto estão todos (gringos e brazucas) em suas casas, curtindo ondas pequenas ou inexistentes, o Havaí está fumegando. Aí vem aquela velha pergunta que não quer calar: por que os brasileiros não estão lá treinando? Infelizmente não temos a resposta. Aliás, achamos que ela nem existe. A discussão é infinita. Existem bons argumentos da turma que defende que os brasas devem ficar mais tempo se aprimorando no Havaí e aqueles que defendem que tudo bem eles ficarem por aqui descansando. Sem ficar em cima do muro, o CDO vota para que nossos surfistas fiquem mais tempo na meca do surfe. E antes que alguém argumente que nomes como Julian Wilson ou Mick Fanning também não estão por lá, saiba que nós estamos defecando e andando para eles. Queremos mais é que australianos e americanos fiquem vendo TV o dia inteiro, enquanto nossos conterrâneos pegam tubos em pé em Pipe, dropam morras em Sunset e afiam manobras em Rocky Point. Em outras palavras, queremos que os gringos se danem, para não dizer outra coisa menos educada (vai que tem mulheres e crianças lendi isso aqui). Mas, o que queremos ainda mais, é evitar o que aconteceu no último Pipe Masters, onde o Medina foi o único a passar bateria no evento. Todos os outros tupiniquins perderam logo de cara. É por tudo isso que vamos torcer para Noronha estar gringa. Assim nossa galera vai treinar um pouco em ondas powers e de qualidade. Ou vai se atolar de vez e, no ano que vem, vai criar vergonha na cara e passar um tempinho a mais no Havaí.

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